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Sobre Pagras: Caramujos:

Ocorrência do Achatina Fulica (Caramujo Gigante Africano) na cidade de Cajati Estado de São Paulo

A presença desses moluscos hospedeiros representa uma possibilidade de instalação da doença na região.

Em 1.997 registrou-se no município de Cajati, Estado de São Paulo, a primeira ocorrência do molusco Achatina fulica hospedeiro intermediário de Angiostrongylus cantonesis, causador de angiostrongilíase meningonencefálica, na rua Aracaju, centro de Cajati. Hoje em todos os bairros existem moluscos vivendo livremente. A presença de Achatina fulica pode estar relacionada a comercialização desse molusco como alimento. A falta de ação do governo Federal (IBAMA) e a irresponsabilidade dos criadores permitiram a instalação dessa zoonose em nossa região.

O molusco Achatina fulica é o hospedeiro intermediário de angiostrongylus Cantonensis (Chen, 1935), nematódeo parasita que causa a meningite eosinofilica ou angiostrongilíase meningoencefálica no homem. A manutenção dessa zoonose tem potencial importância na medicina veterinária por apresentar também roedores urbanos e silvestres como hospedeiros definitivos.

Essa espécie conhecida como caramujo gigante africano alcança dimensões consideráveis em torno de 20 cm de comprimento de concha. É um gastrópodo pulmonado terrestre e sua ampla distribuição geográfica tem sido registrada em diversas regiões da África, sudeste asiático.

(Tailândia, China), ilhas do pacífico, Austrália, Japão, e, recentemente, foram registrados casos isolados no continente americano.
A fulica é considerada uma praga agrícola por promover grandes prejuízos à lavouras e plantações comerciais. Invade hortas em áreas domiciliares – seu habitat mais comum – sendo também encontrado em árvores, sobre material em decomposição e próximo à depósitos de lixo.

A infecção da angiostrogilíase ocorre após o hospedeiro definitivo ingerir as larvas de terceiro estádio (L3) deixadas nos locais por meio de muco produzido pelo molusco.

No homem pode apresentar os seguintes sintomas: Febre alta, vômito, irritabilidade, rachadura na pele, ausência de reflexos nos tendões, retenção urinária, incontinência anal e meningite, podendo levar crianças à morte. A eosinofilia pode ser constatada no sangue periférico e no líquor pela citologia. Algumas infecções secundárias bacterianas também podem ser observadas.

A introdução e distribuição desse molusco em países do continente americano ocorreram, provavelmente, na década de 30. No Brasil a introdução dessa espécie deveu-se ao cultivo e ao comércio de “escargots” para a alimentação exótica em restaurantes.

O registro da espécie A. fulica no País foi descrito na cidade de Itariri, região da Bacia do Rio Ribeira de Iguape, Estado de São Paulo. Em Cajati no início do controle dos caramujos nos bairros, registramos a captura de molusco com até 16 cm de comprimento de concha. Apesar de nenhum caso de angiostrogilíase ter sido confirmado, não nos dar certeza de que não haja Achatina fulica infectado, no município, a simples presença desta praga deve ser encarada como preocupante pelas autoridades de saúde pública, já que a não confirmação pode estar relacionada a variação sazonal da prevalência do parasita no hospedeiro (Achatina fulica).